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O empreendedorismo social está conectado com uma nova ideia de mercado, com um novo perfil de consumidor e ações que contribuem para transformações sociais. Ele se consolida como um modelo de negócios capaz de responder para esse novo consumidor. Além disso, agrega duas realidades que o mercado sempre buscou, que é crescer e contribuir.

Pensando em formação, é importante frisar que a formação do empreendedor social, não está atrelada somente a educação formal ou à trajetória de liderança. Ela pode, também, ser delineada pelos espaços e contextos de aprendizagem aos quais os sujeitos foram submetidos ao longo de sua história de vida. Ela pode também ser direcionada pelas motivações que teve em promover inovações sociais.

Com a expansão de movimentos educativos paralelos ao sistema formal de ensino, iniciativas sociais e educacionais com foco no desenvolvimento humano e econômico tornaram-se importantes ferramentas para a resolução de problemas locais. Desta forma, a educação não formal surge como uma modalidade alternativa proposta por diversos segmentos da sociedade civil organizada, com o objetivo de inclusão de comunidades carentes, em parceria com diferentes instituições e organizações sociais, inclusive com a rede escolar.

Empreendedorismo social – Projeto Embaixadores da Escola

Foi a partir desse viés que a minha dissertação de mestrado intitulada: Trajetórias de Jovens de Classe Popular no Empreendedorismo social: O projeto “Embaixadores da Escola”, defendida pelo Programa de Mestrado em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local (UNA, 2020), buscou compreender as trajetórias de jovens estudantes de classe popular em suas práticas de empreendedores sociais do projeto “Embaixadores da Escola”, que desenvolvem atividades de educação não formal junto a escolas de ensino fundamental da rede pública de Belo Horizonte- MG.

Este engajamento do grupo de jovens, suscitou uma questão relevante de questionamento, na perspectiva dos estudos de “trajetória”, na linha do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Como se pode compreender as opções que se apresentaram a esses jovens que os fizeram construir ao longo de seu percurso de escolarização, levando-os a se envolver de modo tão decisivo e criativo com projetos sociais? Ao se envolverem com projetos sociais, o que os levou a optar pelas atividades de educação não formal junto a escolas públicas?

Nesse estudo, a obra de Bourdieu, em sua vertente mais estruturalista teve claramente uma função crítica: a do desvelamento dos modos como o social se estrutura e quais são as possibilidades de ação de seus agentes. Nesta perspectiva, a discussão teve seu percurso focado em como o indivíduo se conecta e interage com o meio social, e quais os impactos que essas interações podem trazer para sua vida. Toda a história individual e coletiva está ligada ao convívio social.  Ou seja, este processo interativo desempenha papel fundamental na formação individual.

A teoria de Bourdieu contribuiu com os estudos das trajetórias dos indivíduos e do grupo em estudo. Ela permitiu ter elementos para refletir, identificar e descrever o percurso desses jovens, ressaltando suas relações simbólicas, sociais, históricas e materiais. Algumas atribuídas às práticas promovidas pela ONG e as implicações a respeito da produção de intervenções sociais que executam atualmente no campo escolar.

A educação não formal neste contexto, se apresentou como importante elemento para o alcance dos objetivos do referido empreendedorismo social. Assim, houve contribuição no processo de conscientização e na busca por uma sociedade justa e igualitária com foco na educação.

Os desafios seguem na busca de melhorias das realidades sociais e de ações que promovam o desenvolvimento das pessoas, de comunidades, levando-as à conscientização de que vivem em um sistema que promove desigualdades, mas, que é possível, através de suas contribuições, o alcance de melhores condições de vida e até mesmo a superação das desigualdades sociais.